Dissertações de Mestrado Defendidas no Programa de Pós Graduação em História

2014

Bolas, brinquedos e jogos : práticas de lazer e futebol na tradição dos Kaingáng da Terra Indígena Xapecó/SC

Jeniffer Caroline da Silva  
Orientadora: Ana Lúcia Vulfe Nötzold

Resumo: Através desta dissertação pretendeu-se analisar, a partir dos relatos de etnógrafos que estiveram em contato com os Kaingáng em diferentes regiões do Brasil, algumas características das práticas de lazer e entretenimento executadas por indígenas ao longo dos tempos. Focando especialmente nas narrativas de brincadeiras e brinquedos infantis deste povo, pretende-se traçar um panorama das atividades destacadas por etnógrafos em suas publicações, verificando, em tempos passados, de qual maneira os Kaingáng costumavam utilizar seu tempo livre com práticas de entretenimento. Através da metodologia da História Oral, visamos destacar algumas narrativas sobre as infâncias dos Kaingáng na Terra Indígena Xapecó (SC), identificando nestes relatos a presença de brinquedos, brincadeiras e jogos executados desde meados da década de 1940. Também a partir das narrativas de História Oral, procuramos investigar a importância obtida pela prática do futebol na Terra Indígena Xapecó, a popularização do esporte entre os indígenas, a criação dos próprios times de futebol, a participação de crianças e adultos em campeonatos no interior da Terra Indígena e nos municípios da região.

2014

Entre a tradição e a ressignificação : a cultura material Kaingáng na contemporaneidade – terra indígena Xapecó/SC

Luana Máyra da Silva 
Orientadora: Ana Lúcia Vulfe Nötzold

Resumo: O povo Kaingáng atualmente é um dos três maiores grupos indígenas do Brasil, com cerca de 60 mil pessoas vivendo nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. A Terra Indígena Xapecó, localizada no oeste de Santa Catarina, entre os municípios de Ipuaçu e Entre Rios, insere em sua vivência comunitária e escolar a Cultura Material, através do artesanato. Esse elemento faz parte dos valores culturais e tradições, contemplados na Constituição Federal de 1988, assim como em outros aparatos jurídicos, como: a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional e o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas, que em seus textos tentam contemplar as necessidades e particularidades dos povos indígenas. No que concerne aos artesanatos, o processo de socialização das práticas e técnicas particulares, ocorre principalmente através da observação e, são passadas de geração em geração através da memória. Nesse contexto, as vozes indígenas são importantes e por isso, a História Oral, juntamente com as etnografias escritas sobre os Kaingáng, no século XIX e XX, nos possibilita compreender as transformações de sua Cultura Material, em relação aos afazeres domésticos, ao caçar, ao pescar e ao guerrear, por exemplo. Na atualidade, os antigos artefatos, são denominados de artesanato, devido às modificações que são inseridas no cotidiano do povo através de processos de ressignificação dos objetos, que nem por isso deixaram de ser Kaingáng. Esses aspectos possibilitam ainda reavivar a memória dos idosos quanto ao fabrico, inclui as crianças e os jovens no ambiente domiciliar e também escolar, com uma parte das tradições indígenas.

 

2010

Índios, Colonos e Fazendeiros: Conflitos Interculturais e Resistência Kaingang nas Terras Altas do Rio Grande do Sul (1829-1860)

Sandor Fernando Bringmann 
Orientadora: Ana Lúcia Vulfe Nötzold

Resumo: Através desta pesquisa, buscamos revelar alguns aspectos das relações interculturais entre os Kaingang e as frentes de expansão no Rio Grande do Sul, durante o século XIX. Enfocamos em nossa pesquisa, sobretudo, os desdobramentos do contato destes indígenas com os fazendeiros luso-brasileiros e com os colonizadores alemães no período entre 1829 e 1860. Escolhemos esta delimitação temporal, por ser este o período mais crítico do contato, quando assaltos, sequestros e assassinatos realizados por determinados grupos indígenas nas áreas de colonização motivaram a violenta repressão contra os Kaingang da Província. A relação conflituosa entre os fazendeiros, colonizadores e os Kaingang ganhou um relativo destaque em correspondências, relatórios e ofícios das autoridades provinciais a partir de 1829. Foi sobre estas fontes que nos debruçamos para analisar os atos e os discursos construídos acerca do processo. Esta documentação, existente no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, possibilita uma reflexão sobre a forma como estes conflitos estavam sendo percebidos pelos organismos provinciais e imperiais. No que se refere aos ataques dos Kaingang, entendemos as “correrias” e os assaltos como um mecanismo de resistência ao invasor. Entretanto, de acordo com os resultados obtidos através da pesquisa documental, entendemos que não é possível conferir a todos os Kaingang a responsabilidade pelos ataques, pois os mesmos eram geralmente efetuados por grupos isolados, resistentes às políticas de aldeamento. Dessa forma, partimos da hipótese de que os órgãos oficiais não faziam esta reflexão, incutindo em todos os indígenas a responsabilidade pelos ataques. Além disso, aqueles não relutaram em perseguir, confinar e, até mesmo, exterminar muitos indígenas.


 

2009

De geração em geração e o lápis na mão: O processo de revitalização da língua Kaingáng na Educação Escolar Indígena/Terra Indígena Xapecó-SC

Talita Daniel Salvaro 
Orientadora: Ana Lúcia Vulfe Nötzold

Resumo: Essa pesquisa tem como propósito perceber a língua Kaingáng em dois momentos distintos que marcaram a história dos Kaingáng da Terra Indígena Xapecó, localizada no oeste catarinense. Durante o período de atuação do Serviço de Proteção ao Índio/SPI, marcado pela integração do indígena à sociedade nacional, a língua Kaingáng foi proibida e iniciou-se o ensino da língua portuguesa. Nesse período, a identidade indígena foi negada, pois a política da época era a de progresso e da buscas de uma identidade única para o país. Sendo assim, a educação destinada aos Kaingáng era como a das escolas rurais brasileiras. A partir da promulgação da Constituição Federativa do Brasil de 1988, a educação abandona seu viés integracionista e contempla uma educação diferenciada, bilíngue, comunitária, intercultural e específica. Neste momento, o ensino da língua Kaingáng é retomado nas escolas como um fator de identidade étnica do grupo. Nosso recorte temporal abrange a data de 1941, quando foi criado o Posto Indígena Xapecó, e se estende até os dias atuais. Urdindo os relatos obtidos nas entrevistas realizadas por meio da Metodologia de História Oral, documentos do SPI e FUNAI, Atas de Pais e Professores da Escola Indígena de Educação Básica Cacique Vanhkrê, materiais didáticos elaborados pelos professores de língua Kaingáng e observações durante as saídas de campo, pretende-se mostrar como a língua Kaingáng é ensinada na escola, as dificuldades encontradas no seu ensino e aprendizagem e sua função como fator de identidade para essa comunidade.


 

2009

A presença da Escola na Comunidade de “Tekoa” Guarani: uma trajetória histórica

Helena Alpini Rosa 
Orientadora: Ana Lúcia Vulfe Nötzold

Resumo: Esta dissertação tem como objetivo principal o levantamento da trajetória histórica da Escola Indígena de Ensino Fundamental Kaa kupe na comunidade indígena Guarani de Massiambu, Palhoça, SC, nas três últimas décadas do século XX e anos iniciais do século XXI, especificamente entre os anos 1988 e 2006. Com os pressupostos da Etno-história, busca-se compor uma história do tempo presente, auxiliada pela metodologia da História Oral, através de entrevistas gravadas e transcritas. A partir da oralidade, registram-se as “experiências das pessoas vivas”, percebendo as relações entre história e memória. Parte-se dos elementos culturais, lingüísticos e identitários do povo Guarani do litoral do Brasil e de Santa Catarina, reunidos no nhandereko, modo de ser e de viver, que abrange a ligação profunda com a natureza, a vida espiritual. Na seqüência, passa-se para os elementos que possibilitam e regularizam a presença da escola nas comunidades indígenas, tendo como referência o significado da educação tradicional Guarani, a legislação e a formação de professores. Aborda-se a trajetória histórica da escola Kaa kupe como um campo de possibilidade e representação para outras realidades de escolas indígenas. Por fim, estabelece-se uma relação entre os aspectos culturais Guarani e a proposta de escola diferenciada, com processos próprios de aprendizagem.


 

2008

A história dos Kaingáng da Terra Indígena Xapecó (SC) nos artigos de Antonio Selistre de Campos: Jornal A Voz de Chapecó 1939/1952

Ninarosa Mozzato da Silva Manfroi 
Orientadora: Ana Lúcia Vulfe Nötzold

Resumo: Esta pesquisa tem como objetivo registrar parte da história dos Kaingáng do Oeste Catarinense, localizados na Terra Indígena Xapecó/SC, no cruzamento dos rios Xapecó e Chapecozinho, entre os municípios de Ipuaçu e Entre Rios, aproximadamente a 30 km de Xanxerê/SC. Adotou-se a metodologia da Etno-história, com destaque para a história oral, a memória, as fontes escritas e as pesquisas de campo. Entre as fontes estão os artigos do jurista Antonio Selistre de Campos (1881-1957), publicados no jornal A Voz de Chapecó, fundado em 1939. Este jornal passou por censuras policiais no período do Estado Novo (1937-1947), interrompendo suas edições dominicais. O recorte temporal, de 1939 a 1952, prende-se ao fato de ser o período de maior número de artigos publicados pelo jurista. Dessa forma, as atuações de Antonio Selistre de Campos em prol dos Kaingáng podem ser compreendidas nas relações que foram estabelecidas entre ele, os Kaingáng e o SPI, em suas diferentes fases de administração, principalmente a partir de 1941, quando o Posto Indígena é implantado pelo SPI no interior da TI Xapecó. Fica evidente a importância desses artigos, em sua função social, por conterem denúncias públicas abordando a temática indígena, relacionada aos temas da educação, da saúde e da terra; tema ao qual Antonio Selistre de Campos mais se dedicou. Ao término deste estudo, constatou-se por meio das pesquisas de campo e da realização das entrevistas em história oral, que, apesar do empenho de Antonio Selistre de Campos em defender os Kaingáng, algumas situações do passado se repetem na atualidade, embora de forma diferente, mas ainda ligadas aos temas da educação, da saúde e da terra; não só dos Kaingáng, mas dos povos indígenas.

 

 

2008

Memórias que lutam por identidade: A Demarcação da Terra Indígena Toldo Chimbangue

Marcos Antônio da Silva 
Orientadora: Ana Lúcia Vulfe Nötzold

Resumo: Este trabalho pretende refletir acerca da identidade étnica dos Kaingáng da Terra Indígena Toldo Chimbangue, Chapecó – Santa Catarina, tomando como base as memórias coletivas desse grupo referentes à luta pela demarcação de suas terras entre as décadas de 1970 e 1980. Para alcançar tal intento, demos início à presente pesquisa historicizando a formação do Toldo Chimbangue desde meados do século XIX, procurando pontuá-la em trajetória até nossos dias. Para que assim pudéssemos vislumbrar além do contexto histórico dos acontecimentos, perceber também seus atores. Observar o que das memórias, pertinentes à demarcação, ficou registrado, e como ficou registrado, nos dão indícios de sua ligação com a identidade e coesão do grupo. O acesso a essas memórias nos foi possível com base em entrevistas de História Oral que realizamos com os moradores do Chimbangue. Os resultados de nosso estudo foram obtidos pondo em diálogo as teorias sobre a memória e identidade, com a interpretação que fizemos das entrevistas. Ao término de nosso trabalho, pudemos constatar, com base nas evidências, que a identidade étnica dos Kaingáng continua a reclamar seu lugar no mundo, e que a luta por suas terras é também uma luta por identidade.


 

2005

O Serviço de Proteção aos Índios e os Botocudo: A Política Indigenista através dos Relatórios (1912-1926)

Rafael Casanova de Lima e Silva Hoerhann 
Orientadora: Ana Lúcia Vulfe Nötzold

Resumo:  Desde a data em que foram contatados no início do século XX, os Botocudo passaram por um grande processo de modificação cultural. Por diversas vezes o Estado interveio para encontrar uma solução à questão indígena, principiada quando o primeiro europeu pisou em solo brasileiro. Chegado o século XX, a situação dos indígenas começaram a se agravar, devido à ocupação das terras do interior brasileiro, e as poucas exploradas no sul do país. Uma vez o Estado impossibilitado de encontrar os povos indígenas de maneira amigável, a solução foi financiar o seu extermínio, até ser denunciado internacionalmente. O governo resolveu reverter o quadro difamatório e criou em 1910, o Serviço de Proteção aos Índios e Localização de Trabalhadores Nacionais (SPI-LTN). Este trabalho demonstra um pouco da atuação do SPI-LTN para com os Botocudo de Santa Catarina. A dissertação O Serviço de Proteção aos Índios e os Botocudo – A política indigenista através dos relatórios: (1912 – 1926), escrita por Rafael Hoerhann, trabalhase as décadas de dez e vinte (1912 – 1926), através dos relatórios elaborados pelo encarregado do órgão no Vale do Itajaí em Santa Catarina. Esses relatórios foram as principais fontes utilizadas nesta pesquisa, principalmente dos anos de 1916, 1917, 1919, 1920, 1921 e 1922, anos até então nunca pesquisados, pelo simples fato de que só existe um exemplar de cada qual e não foram disponibilizados ao público porque permanecem em acervos particulares.


 

2004

Simbolismo e reelaboração na cultura material dos Xokleng

Edna Elza Vieira 
Orientadora: Ana Lúcia Vulfe Nötzold

Resumo: Buscamos apresentar um panorama sobre a situação atual na aldeia Bugio acerca da confecção dos objetos de arte, dando ênfase à opinião dos seus membros sobre a confecção e utilização dos mesmos no cotidiano e no contexto escolar. Procuramos destacar a importância no ensino da arte na aldeia e na escola, não apenas como um instrumento didático e pedagógico, mas como símbolo identitário, como instrumento, ou elemento que reforça a cultura. Percebemos que os objetos de arte indígenas confeccionados pelos Xokleng funcionam como instrumentos de identificação e de diferenciação, que os coloca como diferentes da sociedade envolvente. São percebidos como forma palpável dessa diferenciação juntamente com a língua indígena.


 

2002

A Arquitetura do Silêncio: O Indígena e a Escrita, Relações de Civilização e Extermínio

Christiano Schauffert de Amorim 
Orientadora: Ana Lúcia Vulfe Nötzold

Resumo: O propósito central desta dissertação é uma reavaliação dos termos historiográficos que são comumente usados pelos historiadores e escritores do passado e mesmo no presente em seus diversos trabalhos relacionados ao indígena em Itajaí-SC. Tais termos como: caboclo, índio, colono, bugre, gentio, selvagem, pele vermelha, entre outros podem ser encontrados as centenas nos antigos e atuais jornais, livros, revistas e toda espécie documental redigida em Itajaí, eles carregam em seu espaço abstrato e na sua representação o estigma da exclusão e um processo de aniquilação física e cultural. Esta ação discursiva tem sua importância, pois fica evidente a tentativa consciente e até inconsciente de se construir um sujeito civilizado e cristão. Também avaliar os caminhos que o grupo indígena percorreu nos meios escritos em Itajaí, durante o processo de extermínio. Não é propriamente uma tentativa de contar a história dos indígenas na cidade, mas de perceber os fenômenos que os envolveram. O instrumento da escrita – organismo intrinsecamente ligado ao poder tornou-se de forma profícua um obstáculo invisível, território hostil e inadequado à sua presença.


 

2001

Os Wapixana da Serra da Moça: Entre o Uso e o Desuso das Práticas Cotidianas (1930-1990)

Delta Maria de Souza Maia
Orientadora: Ana Lúcia Vulfe Nötzold

Resumo: Análise do processo socializante dos Wapixana e os principais fatores decorrentes. Este acontecimento que vem de longa data, implica numa constante reelaboração e reorganização sociais indígenas, para que possam assimilar novos valores, os quais venham a fazer parte do cotidiano da aldeia. Assim, os Wapixana da Serra da Moça/RR, encontram meios de sobrevivência na estreita relação de convivência que mantêm com membros da sociedade não-índia.